Jefferson Crescencio Neri. Doutor em Direito pela UFSC. Mestre e Arqueologia pelo IPT, Portugal
As plantas medicinais são um recurso natural empregado por diversas tradições culturais no tempo para tratar as mais diversas doenças. A Lafoensia pacari A. St-Hil (Lythraceae) é uma planta arbórea do cerrado usada na medicina popular brasileira (vide FACHIN, 1995; GUARIM NETO, 2003 e 2006; SANTOS, 2006; SOUZA, 2006) para o tratamento de câncer, gastrite, úlcera, dores de estômago, inflamação, pneumonia, coceiras, como antialérgico, antifúngico, antidiarreico, anti-inflamatório, antibactericida, cicatrizante, febrífugo, sudorífero (diaforético), tônico (capilar e facial) e para emagrecimentos, usos compilados a partir dos relatos da própria literatura científica[1].
Características Gerais
Segundo FIRMO et al (2016) e CARVALHO, 2003, p. p. 441-448, a planta é popularmente batizada “pacari” (na Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo), “mangaba brava” (no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) ou “dedaleiro”, tendo como sinonímias populares “candeia de caju”, “copinho”, “dedal-do-campo”, “dedaleiro-amarelo”, “jacarandá-capitão”, “mirindiba”, “pacari-verdadeiro”, “pau-de-dedal” (em São Paulo), “dedaleira”, “dedal-amarelo”; “dedal-cabacinha”; “dedal-cravo”; “dedal-róseo” (em São Paulo e Rio Grande do Sul), “pacari do mato”, “pacuri”, “pau de bicho”, “pé-de-pinto” (em Minas Gerais), “amarelinho”, “louro-amarelo” (no Paraná), “dedaleira amarela”, “louro da serra” (em Santa Catarina), “dedal” (em Minas Gerais e São Paulo), “louro” (no Paraná e Rio Grande do Sul), “mangabeira brava” (Mato Grosso do Sul), “falso-dedaleiro” (no Rio Grande do Sul), “pequi-amarelo” (na Bahia), “mangaba braça”, “mangava brava”, “mangabeira” e “tabaco-de-cachorro”. E no Paraguai, “morosyvó”.

Na literatura científica, foi descrita pelo botânico Auguste de Saint-Hilaire, que ao passar pela Serra dos Cristais, em Goiás, em 1818, adotou como nome científico o nome popular pacari (origem tupi). Lafoensia é o género botânico da família Lythraceae, em homenagem a Dom Juan de Lafõens (1719-1806), Duque de Bragança e membro da academia de Lisboa.
Para FIRMO et al (2016), é uma planta arbórea da família Lythraceae (umas 600 espécies), com 5 a 25 m de altura e 20 a 60 cm de diâmetro, distribuída nas Américas do Sul e Central (florestas semidecíduas e savana arbórea do Paraguai e Bolívia), no Brasil encontrada no cerrado, cerradão, mata ciliar, mata seca e florestas de altitudes, em zonas subtropicais e tropicais, em geral em formações secundárias de capoeirões e capoeiras, com dispersão ampla e descontínua, sem grandes populações. É adaptada às condições do cerrado, mas o ambiente em que se encontra reflete suas variações de altura. É observada no Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Ainda para tais autores, é uma planta decídua que floresce de outubro a dezembro e que madura seus frutos de abril a junho. Suas folhas são simples, opostas e cruzadas em um só nó, ovais e de ápices agudos, com 5 a 17 cm de comprimento e 2 a 9 de largura e nervuras salientes na face inferior. As flores são grandes com receptáculo desenvolvido de até 8 cm de diâmetro e com até 16 pétalas livres de cor branca ou amarelada. O fruto é seco, do tipo cápsula semilenhosa, com 4 a 8 cm de comprimento por 2 a 5 de diâmetro. O caule é revestido por uma epiderme uniestratificada e a periderme apresenta lignina. Sua madeira tem boa característica, mas se desconhece poder calorífico, sendo usada para construção civil, marcenaria, tacos, assoalhos, cabos, mourões, e é recomendada para arborização urbana e recomposição de áreas degradadas, sobretudo para reflorestamentos mistos. Vide FERNANDES, 2012, SHEER, 2012, SENEME, 2010, PIVETA, 2009, MENDONÇA, 2006.
Dizem FIRMO et al, ainda, que a L. pacari encontra-se na lista de espécies com prioridade para conservação e entre as espécies prioritárias para os estudos interdisciplinares de etnobotânica, fitoquímica, farmacologia e agronomia, pois é bastante procurada e extraída pela população e, no artesanato, é utilizada pelos índios guaranis para fabricar flechas.
Aspecto Fitoquímico
Dentro do gênero Lafoensia[2], quanto ao aspecto fitoquímico são encontrados em especial compostos químicos da classe dos taninos, quinonas e, sobretudo, alcaloides (LORENZI 2002, CORRÊA e PENNA, 1984) e também se observou compostos ácidos, flavonoides livres e glicosilados e acetofenonas (GARCEZ et al, 1998 e CARVALHO et al, 1999). Em estudos da Lafoensia Pacari, quanto às folhas, FIRMO et al (2014), no extrato hidroalcoólico dessas, mostraram a presença de fenóis (taninos hidrolisáveis), flavanonoides, triterpenos, alcaloides, saponinas, flavanonas, esteroides e terpenoides, enquanto SAMPAIO et al (2001), dentre os metabólitos secundários das folhas (compostos de defesa, interação e adaptação ambiental), identificaram polifenóis relacionados à atividade farmacológica do pacari, quantificados os fenóis totais, taninos hidrolisáveis e por precipitação de proteínas, flavonoides totais, ácido elágico e nutrientes minerais. Quanto à casca do caule, observou- se no extrato hidroalcoólico a presença de saponinas (TAMASHIRO FILHO, 1999, SOUZA JÚNIOR e RUDOLF 1996) e de ácido gálico e elágico, catequinas, esteróides, saponinas, taninos e triterpenos (SOLON et al, 2000). Outros estudos confirmaram esses compostos (VIOLANTE et al, 2009, SANTOS et al, 2009, SANTOS, D., 2000, WAGNER et al, 1984). LIMA et al (2006a, b) encontraram chalconas, auronas, leucoantocianidinas e antraquinonas.
Propriedades Farmacológicas
- Atividade Antimicrobiana
a.1) Atividade antibacteriana
Em FIRMO et al (2014), ao teste de atividade antibacteriana do extrato de L. Pacari hidroalcoólico, utilizando a técnica de difusão em ágar (técnica do poço), os resultados mostraram que Staphylococcus aureus e Escherichia coli foram sensíveis em todas as concentrações testadas, e foi mais sensível frente a S. aureus (por ser uma bactéria gram positiva, possivelmente), mostrando que a utilização deste extrato pode ser promissora em face de doenças ocasionadas por estes microorganismos. Antes LIMA et al. (2006a) observaram a atividade antibacteriana das folhas e casca do caule frente a Escherichia colie cepa susceptível e resistente de S. aureus, com resultado positivo apenas para as cepas de S. aureus.
PEREIRA et al (2011) verificaram a atividade antibacteriana do extrato sobre bactérias de interesse na odontologia, frente a Streptococcus mutans, S. aureuse, Agregatibacter actinomycetemcomitans, enquanto PORFÍRIO et al (2009) elucidou, pelo método de difusão em meio sólido (Kirby-Bauer) modificado, a atividade antimicrobiana desse extrato frente às linhagens de bactérias multirresistentes mais responsáveis pelas infecções hospitalares e milhões de mortes no mundo (Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus), isoladas de pacientes internados com múltiplas infecções na Unidade de Emergência de Maceió. Nos ensaios in vitro, 96,4% das linhagens de bactérias apresentaram-se sensíveis ao extrato, com Halos de inibição de crescimento de até 26 mm, demonstrando atividade antibacteriana.
SILVA JÚNIOR et al (2009), usando o método da microdiluição em caldo, notaram potente efeito antibacteriano em algumas das bactérias analisadas, frente a S. aureus, S. epidermidis, Streptococcus pyogenes, Enterococcus faecalis, E. coli, Salmonella typhimurium, Shiguella flexneri, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter aerogenes, Streptococcus agalactiae, P. mirabilis, Citrobacter koseri e Serratia marcescen. Antes, BATISTA (2008) avaliou a atividade antibacteriana “in vitro” utilizando técnica de “Pour Plate”, com considerável resultado positivo frente a microorganismos padrões de S. aureuse, S. epidermides e de isolados clínicos de Streptococcus ssp. (β-Hemoliticus); Streptococcus ssp.; E. coli; Klebsiella ssp. e E P. aeruginosa.
Antes, LIMA et al (2006b) obtiveram bons resultados da atividade antibiótica das folhas e caule de L. pacari frente às bactérias S. aureus, Micrococcus flavus, Bacillus cereus, B. subtilis, Salmonella enteretidis, E. coli, P. aeruginosa, Proteus mirabilis, Serratia marcescens, Mycobacterium phlei, M. smegmatise, M. fortuitumdas, e MENEZES et al. (2006), em ensaio clínico randomizado duplo cego, analisaram o efeito do extrato metanólico sobre a bactéria Helicobacter pylori, observando que como agente único não foi eficaz para erradicação, embora SOUZA (2008) demonstrou que in vitro o extrato apresenta atividade anti-Helicobacter pylori.
De início, MELO JÚNIOR et al (2002) avaliaram a atividade antimicrobiana do extrato em microorganismos isolados de alveolite induzida e alveolite em ratos, sendo positivo para Enterococcus Grupo D, Bacillus corineforme, Streptococcus viridians, Streptococcus (β-Hemoliticus), Staphylococcus aureuse, Pseudomonas aeruginosa. , e ALBUQUERQUE et al (1996) avaliaram o efeito do extrato etanólico em modelos de peritonite aguda em camundongos, demonstrando propriedades anti-inflamatórias.
a.2) Atividade antifúngica
SILVA et al. (2012) e PEREIRA et al. (2011) evidenciaram atividade antifúngica significativa frente a Candida albicans. NARUZAWA E PAPA (2011) observaram a atividade antifúngica do extrato frente aos microorganismos Colletotrichum gloeosporioides e Corynespora cassiicola. Antes, ocorreram avalições mais generalistas de SILVA JÚNIOR et al. (2010 e 2009), utilizando a técnica de microdiluição, observando a atividade antifúngica sobre algumas das leveduras de C. albicans, C. krusei, C. tropicalis, C. parapsilosis, C. glabrata, C. lusitaneae, C. kefyr, S. cerevisiae, C. neofarmans, Neurospora crassa, A. niger, C. colliculosa, A. flavus, A. fumigatus, M. canis, M. gypseum, T. rubrum, T. mentagrophytes, T. tonsurans e E. floccosum,. De início, LIMA et al (2006b) demonstraram a atividade antifúngica das folhas e caule de L. pacari contra as leveduras Candida albicans e C. krusei, e SOUZA et al. (2002), por meio de testes de sensibilidades, observaram resultados representativos.
a.3) Atividade Antiviral
MÜLLER et al. (2007) em seu estudo relataram a atividade antiviral do extrato e frações contra o vírus Herpes simplex Tipo 1 e vírus da raiva, de importância veterinária, não havendo, ainda, estudos em relação a vírus humanos.
- Atividade Anti-inflamatória, Analgésica e Sedativa
NASCIMENTO et al (2011) determinaram a atividade anti-inflamatória e analgésica, utilizando as técnicas de contorção abdominal induzida por ácido acético, dor induzida por formalina e o teste de edema de orelha induzida pelo óleo de cróton, observando efeito significativo. Já GUIMARÃES et al (2010) objetivou avaliar esses efeitos para o extrato etanólico das folhas do pacari (EEFP), verificando, pelas mesmas técnicas, em camundongos, por meio do tratamento prévio com EEFP 1,0 g/kg, atividade antinociceptiva e redução do edema de orelha, no que os resultados com EEFP mantém as atividades analgésica e antiinflamatória popularmente notas para o extrato das cascas do caule. MATOS et al (2008), empregando os métodos citados e o da retirada da cauda, verificaram um significativo efeito anti-inflamatório e analgésico do extrato aquoso da casca do tronco. E ROGERIO (2006 e 2008a e b), pelo modelo da contorção induzida em camundongos, observou reduções significativas no número de contorções, e utilizando o modelo da asma murina, verificou atividade anti-inflamatória significativa.
- Atividade no Sistema Nervoso Central
c.1 Atividade Antidepressiva
GALDINO et al (2009), partindo da Relevância etnofarmacológica, de que o Pacari tem sido utilizado na medicina tradicional brasileira para o tratamento de depressão, tiveram o objetivo de avaliar os efeitos antidepressivos do extrato etanólico de Lafoensia pacar e suas frações no desempenho de camundongos machos, utilizando os métodos do nado forçado, do teste de suspensão da cauda e da atividade motora, no teste de campo aberto. Concluiu-se que o extrato de Lafoensia pacari A. St.-Hil. possui propriedades antidepressivas em ratos.
c.2 Atividade Ansiolítica
MATOS et al (2008), pelo teste de tempo de sono induzido por barbitúricos, pode observar ações depressoras central do extrato da casca. GALDINO et al (2010) através do teste de campo aberto e do teste de labirinto em cruz elevado, utilizando o extrato hidroalcoólico da casca do caule, puderam caracterizar atividade do tipo ansiolítica.
- Contra Asmas e Alergias
ROGERIO (2008 a e b), utilizando o modelo da asma murina, verificou que o extrato de folhas de L. pacari apresenta atividade anti-inflamatória bastante significativa para esse fim. Depois, e publicou os efeitos preventivos e curativos do extrato de Lafoensia pacari e do seu metabólito secundário, o ácido elágico, na inflamação alérgica pulmonar, utilizando o modelo de asma induzida por ovalbumina, demonstrando que o extrato de Lafoensia pacari inibe a inflamação eosinofílica (criada pelo acúmulo dos glóbulos brancos eosinófilos e neutrófilos nos tecidos) induzida pela infecção por Toxocara canis e que o ácido elágico é o responsável pela atividade antieosinofílica observada. O tratamento preventivo de 22 dias de fluido de lavagem broncoalveolar, com L. pacari (200 mg/kg) e ácido elágico (10 mg/kg) inibiu a contagem de neutrófilos (75% e 57%, respectivamente) e a de eosinófilos (em 78% e 68%, respectivamente). O L. pacari reduziu as interleucinas IL-4 e IL-13 (citocinas-chave da resposta imune Th2) em 67% e 73%, respectivamente, ao passo que o ácido elágico reduziu IL-4, IL-5 e IL-13 em 67%, 88% e 85%, respectivamente. No tratamento anti-inflamatório curativo, os camundongos receberam dose diária de ácido elágico (0,1, 1 ou 10 mg/kg) e alguns receberam L. pacari (200 mg/kg) do 18º ao 22º dia. A dose mais alta de ácido elágico reduziu neutrófilos e eosinófilos (em 59% e 82%, respectivamente) e inibiu a produção de IL-4, IL-5 e IL-13 (em 62%, 61% e 49%, respectivamente). Nem o L. pacari nem o ácido elágico suprimiram a hiperresponsividade das vias aéreas induzida por ovalbumina ou a síntese de leucotrienos cisteinílicos em homogeneizados de pulmão, mas nos camundongos tratados com ácido elágico (10 mg/kg) ou L. pacari (200 mg/kg) 10 minutos após o segundo desafio com ovalbumina, o número de eosinófilos foi 53% e 69% menor, respectivamente. Os níveis de citocinas não foram afetados por esse tratamento. L. pacari e ácido elágico são supressores eficazes da inflamação eosinofílica, sugerindo um potencial para o tratamento de alergias.
- Atividade Antiedematogênica
ROGERIO (2006), em sua tese de doutorado, avaliou a atividade antiedematogênica (de redução de edemas) do extrato de folhas de L. Pacari, por meio do modelo de pata induzido pela carragenina, identificando a redução do edema nos animais observados.
- Atividade Antipirética
ROGERIO (2006), em sua tese de doutorado, verificou uma boa atividade antipirética do extrato de folhas de L. Pacari sobre o modelo de febre induzido em camundongos por lipopolissacarídeos (LPS).
- Atividade Antioxidante
FIRMO et al (2015) analisaram o extrato hidroalcoólico bruto e as frações hexânica, clorofórmica, acetato de etila e metanólica, pelo método de ensaio de descoloração do radical difenilpicrilhidrazil (DPPH), onde observaram que o extrato bruto de L. Pacari e a fração metanólica apresentaram alta atividade antioxidante, respectivamente, pois a concentração eficiente (CE50) foi baixa. Antes, CAMPOS E FRASSON (2011), através do método do fosfomolibdênio, observaram a capacidade antioxidante significativa do extrato, e TOLENTINO et al (2011) mostraram resultados muito significativos dessa atividade no extrato das folhas e suas frações em metanol e acetato de etila, utilizando DPPH. De início, em SOLON (2000), o extrato metanólico da casca do caule apresentou atividade sequestradora de radicais livres no (DPPH) e inibiu a enzima xantina oxidase in vitro. O isolamento guiado por bioensaio levou à identificação do ácido elágico (AE) como o principal composto ativo em coleções brasileiras e paraguaias da planta.
- Atividade Antissecretória Gástrica e Antiulcerogênica
MURAKAMI et al.(1991), no trabalho realizado utilizando o modelo de bomba de H+ K+-ATPase, observaram a inibição da secreção gástrica ácida pelo extrato da L. pacari. TAMASHIRO FILHO (1999), utilizando o extrato, procedeu a validação pré-clínica da sua atividade antiulcerogênica.
- Atividade Alelopática
Em MALHEIROS (2014), os extratos etanólicos do caule e folhas de L. pacari demonstraram ação alelopática (de aumentar ou diminuir o crescimento de outro organismo), sendo que os aleloquímicos produzidos atuam de maneira diferente (inibindo ou estimulando o crescimento) a depender do grupo taxonômico da espécie em que ela se encontra interagindo no ambiente.
- Avaliação da Toxicidade
PORTO et al (2008), em seu estudo, ao avaliarem a genotoxicidade do extrato de L. pacari em células somáticas de Drosophila melanogaster, não indicaram efeitos tóxicos. Já RODRIGUES (2007), embora tenha incluído o Pacari na lista de plantas medicinais com potencial de toxidade e abortivo, para fins de estudo, mas dos resultados dessa pesquisa, a L. Pacari não consta como uma das 5 entre as 57 espécies descritas, que até então possuíam propriedades tóxicas ou arbotivas. E LAGOS-WITTE (1998) pesquisou se haveria grau de toxicidade aguda e subcrônica das preparações medicinais caseiras (decoctoe macerado aquosos) realizadas com a entrecasca de L. pacari, sugerindo que tanto o macerado quanto o decocto de L. Pacari não são capazes de causar danos ao usuário, se as soluções concentradas forem ingeridas em dose única.
- Atividades não promissoras e significativas: Larvicida e Moluscicida
OMENA et al (2007) realizaram um estudo de atividade larvicida contra Aedes aegypticom L. pacari , não observando atividade larvicida promissora. Já SANTOS e SANT’ANA (2000) analisaram a atividade moluscicida do extrato contra Biomphalaria glabrata, não observando uma atividade significativa.
Conclusões
O uso de plantas medicinais pela população no tratamento de diversas patologias serve de base etnofarmacológica, para as pesquisas a fim de comprovação científica. A planta Lafoensia pacari A. St.-Hil. (Lythraceae), conhecida popularmente por pacari, mangava brava ou dedaleiro é bastante empregada pela população e muitas de suas propriedades farmacológicas já foram testadas e comprovadas cientificamente em consideráveis publicações científicas descritas no presente artigo, conforme resumido na tabela a seguir:
| Uso popular | Parte usada | Fonte | Confirma |
| Abortivo | Caule | Rodrigues (2007). O estudo não confirmou essa hipótese. | Não |
| Antidiarreico | Folha | Sampaio et al (2011), Coelho et al (2005). Atestam apenas os relatos etnofarmacológicos nesse aspecto. | Não |
| Antipirético (febrífuga) | Folha e Raiz | Galdino et al.(2010), Porfírio et al.(2009), Mundo (2007), Lima et al.(2006a), Melo Júnior et al.(2002) | Sim |
| Câncer | Caule e Folha | Cabral e Pasa (2009), Lima et al.(2006a), Rogerio (2002), Solon et al. (2000), Sartori e Martins (1996). Atestam apenas os relatos etnofarmacológicos nesse aspecto. | Não |
| Cicatrização | Caule e Folha | Tolentino et al (2011), Silva Júnior et al (2010), Porto et al (2008), Mundo (2007), Rogerio (2006), Souza e Felfili (2006), Guarim Neto (2006), Guarim Neto e Morais (2003), Rogerio (2002 | Sim |
| Coceira | Caule | Guimarães et al (2010), Lima et al (2006b), Tonello (1997) | Sim |
| Contraceptivo | Caule | Rodrigues (2007). O estudo não confirmou essa hipótese. | Não |
| Dermatônico | s/ uso pupular | Rogerio (2002) | Sim |
| Depressão | Caule e Folha | Galdino et al.(2009), Solon et al.(2000) | Sim |
| Emagrecimento | Caule | Guimarães et al.(2010), Cabral e Pasa (2009), Tonello (1997) Atestam apenas os relatos etnofarmacológicos nesse aspecto. | Não |
| Gastrite, Úlcera Dor estomacal | Caule e Folha | Nascimento et al.(2011), Tolentino et al.(2011), Rogerio et al.(2010), Guimarães et al.(2010), Cabral e Pasa (2009), Galdino et al.(2009), Jesus et al.(2009), Matos et al.(2008), Rogerio et al.(2008a), Rogerio et al.(2008b), Muller et al.(2007), Mundo e Duarte (2007), Lima et al.(2006b), Rogerio (2006), Santos (2006), Guarim Neto e Morais (2003), Rogerio et al.(2003), Rogerio (2002), Melo Júnior et al.(2002), Santori e Martins (1996), Corrêa e Penna (1984) | Sim |
| Inflamações e Alergias | Caule e Folha | Nascimento et al (2011), Tolentino et al (2011), Rogerio et al (2010), Cabral e Pasa (2009), Galdino et al (2009), Jesus et al (2009), Matos et al (2008), Rogerio et al (2008a), Rogerio et al (2008b), Muller et al (2007), Rogerio (2006), Santos (2006), Lima et al (2006b), Rogerio et al (2003), Rogerio (2002), Albuquerque et al (1996) | Sim |
| Antifúngica | Caule e Folha | Silva et al (2012), Pereira et al (2011), Naruzawa e papa (2011), Silva Júnior et al (2010 E 2009), Lima et al (2006B) e Souza et al. (2002). | Sim |
| Antibactericida | Caule e Folha | Firmo et al (2014), Lima et al. (2006a e b), Pereira et al (2011), Porfírio et al (2009), Silva júnior et al (2009), Batista (2008), Menezes et al. (2006), Souza (2008), Melo júnior et al (2002), Albuquerque et al (1996). | Sim |
| Antiviral | Caule e Folha | Muller et al (2007) | Sim |
| Pneumonia | Frutos | Campos e Frasson (2011), Bueno et al.(2005) Atestam apenas os relatos etnofarmacológicos nesse aspecto. | Não |
| Diaforético (Sudorífero) | Folha | Campos e Frasson (2011), Mendonça et al.(2006) Atestam apenas os relatos etnofarmacológicos nesse aspecto. | Não |
| Tônico (capilar/facial) | Raiz | Porfírio et al (2009), Muller et al (2007), Mundo e Duarte (2007), Lima et al (2006a e 2006b), Sartori e Martins (1996) Silva (1999) fez o depósito da patente PI9903518-9 A2 de loção capilar que utiliza vegetais brasileiros, entre essas a L. pacari. | Sim |
Conclui-se que a utilização de Lafoensia Pacari como produto fitoterápico tradicional, seja na forma de chá medicinal ou de extrato hidroalcóolico é bastante usual, válida e segura para a grande maioria dos usos populares da planta.
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